quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

As coisas do coração

Natal. Tempo de exacerbar o sentimento!
Vivemos às vezes num mundo lotado de senões quanto aos sentimentos.

Vejo que as regras batem com a convivência porque nos adequamos à conveniência. Pra conquistar, é preciso seguir um manual ou exercitar determinado comportamento de que o outro gosta. 

Abrir o jogo demais é burrice. Deixar-se levar não se recomenda.

Invejo a imaculada espontaneidade das crianças. Certa vez, minha sobrinha me viu chegar, correu em minha direção, abraçou minha perna direita e disse: "Pipi, te amo".

Infeliz da tola apaixonada que, louca de vontade de dizer o mesmo, incorre em erro. Arrisca padecer condenação pelo olhar racional do outro, que pode chegar ao cúmulo da deselegância: "Não diga isso! É muito profundo!"

O sentimento é então acorrentado pela razão. Como pode ela se enamorar dele se pouco o vê? E se, num gesto de inocência, ela vai com excessiva sede ao pote, ele se assusta. Então, agressivo, dá na pobre um chega-pra-lá de esmigalhar sonhos.

Não é o caso de dar murro em ponta de faca. Mesmo que o coração obscureça as razões, há que se ter alguma sensatez. Mas, por medo de banalizar o amor, levamos a racionalização às últimas consequências. Despejamos sentido demais no que pouco se explica.

Se em Roma devemos agir como os romanos, vence no jogo das emoções quem corre algum risco. Repletas de atmosfera, as horas anteriores ao Natal convidam a tais vivências. 

Aquele tímido não se aventurava a grandes voos. Poderia ligar e ter a resposta imediata, mas sempre travava na hora fatal. Preferia o conforto da mensagem escrita, mesmo que a volta demorasse ou nem viesse. Ela veio! Generosa! Sufocado de tanto sentimento, ousou subverter a lógica e não titubeou em se doar.

Sentiu-se bem com isso. Ainda que o fim da história não seja o que ele espera.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pérolas jogadas ao vento

E as pérolas não param de ganhar o horizonte. Pra onde vão? Ainda não sei. Como, de novo, escrevo pra expressar o que se passa dentro de mim, aqui vai mais um poema. Se fazemos pra alguém e não funciona, ao menos resgatamos com uma gotinha de arte a nossa pendência de vida com a eternidade. Propositalmente, ele se chama...

Bom dia!

Constelações
Em porta-retratos
viram recatos 
No fundo do pó

Cansei de ser só

Vez em nunca
Descem do véu
Vertem do céu
Brotam gracejos
Da pátria de Zeus

Rotos cortejos meus

Pálida terra, caída
Espalha qual cor em vida
Rasga em raio a madrugada
Reluz no ardor d'alvorada
Brilha em mim prateada
À luz da manhã fugidia

Linda! Você me ganha o dia.

Reflexão pós-aniversário

Na passagem pelos meus 36 anos, vivi uma overdose de emoções (boas, na maioria) e reflexões. Uma delas versou sobre a incondicionalidade do sentimento.

Encara-se como pecado dar esperando algo em troca. Não falo do oportunismo da troca de favores - isso realmente não é passível de se ver com bons olhos. Mas, às vezes, sentir-nos presentes nas vidas de outras pessoas reconforta.

Independente de qualquer coisa, torna-se gratificante deixar felizes pessoas de quem gostamos. Senti essa verdade este ano e não vou me esquecer da sensação.

No entanto, às vezes também desejamos receber - e não vejo isso como pecado. Algumas pessoas se lembraram do meu aniversário, outras não. Houve lembranças surpreendentes; outras, esperadas. Houve esquecimentos que passaram sem susto. Um em particular, no entanto, me entristeceu - e continuo, mais do que nunca, "forasteiro de ti" (Talvez seja hora de me exilar).

Sou incapaz de crer que um sentimento não possa ser retribuído. E aniversário, pra mim, está longe de ser uma data corriqueira. Pra mim é, sim, muito importante receber cumprimentos.

Que me chamem de qualquer outra coisa, não me importo mais. Como já disse aqui uma vez: lidar com adversidades não elimina o direito à decepção.