sábado, 7 de fevereiro de 2009

Aniversário

Ontem à noite compareci à comemoração do aniversário de um amigo recém-feito.


Cadu Silva, por força de cruéis circunstâncias agora um ex-colega de serviço, completou 33 anos e celebrou a passagem no bar Nostravamos. Um lugar bastante animado e, na ocasião, com música de boa qualidade, formada por conhecidos do aniversariante. O único inconveniente foi a falta de uma ventilação adequada, que deixou o ambiente bastante abafado.

A madrugada fora atravessada a base de muito rock, acompanhado de gente simpática e mulheres muito bonitas. Ao final, a atitude infeliz de um funcionário ameaçou quebrar a harmonia. Ainda bem que os donos do estabelecimento agiram rápido e apagaram o incêndio.

Ainda bem. Cadu é um cara muito bacana e não merecia que a sua festa fosse manchada por um idiota qualquer.

Parabéns, amigo!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

COB divulga indicados do Brasil Olímpico

Saiu a lista de indicados do Prêmio Brasil Olímpico 2008. Como já é tradicional, o Comitê Olímpico Brasileiro premiará os melhores do ano. No masculino, concorrem Cesar Cielo, Robert Scheidt e Diego Hypolito. No feminino, as indicadas são Maurren Maggi, Ketelyn Quadros e Natália Falavigna.
A instituição tem um critério para a escolha dos indicados que envolve as confederações e entrevistas com atletas e dirigentes. Mas, como o parâmetro deste ano é a Olimpíada, são as conquistas que devem dar o tom.
Sem querer desmerecer Natália e Ketelyn, é de uma injustiça atroz a ausência de uma representante do vôlei feminino na indicação, visto que foram campeãs. Da mesma forma, se Scheidt está presente, por que Diego Hypolito - que falhou em Pequim - e não Giba? Ou André Nascimento? Ou Sergio? Ou Marcio e Fábio Luiz, da praia? Todos eles foram prata. À frente do ginasta, ainda figurariam os medalhistas de bronze Tiago Camilo e Leandro Guilheiro.
Tudo está à feição para consagrar Maurren e Cesar. Mas as indicações dão a medida de que ainda falta meritocracia neste país.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pérola Negra faz o samba paulista mais vivo do que nunca

Ainda que somente pelas ondas virtuais, tenho acompanhado com atenção os sambas-enredo que serão levados à avenida no grupo especial do carnaval paulistano. E aos poucos, vou trazendo as emoções sentidas durante os ensaios.

Uma coisa, porém, eu já posso adiantar. Tenho a impressão de que as composições deram um salto de qualidade dos anos 90 pra cá. Há uma quantidade cada vez maior de sambas muito inspirados tanto na letra quanto na melodia. Conseguir um resultado assim não é possível se o enredo não for igualmente marcante.

Bom, como o sacerdócio me deixou bem mais longe das avenidas, não tenho acompanhado com tanto afinco. Portanto, essa pode ser uma impressão errada.

Um conjunto enredo-samba que me causou especial emoção foi o da Pérola Negra. Em linhas gerais, a sinopse trata de uma aventura pela Índia em busca de uma jóia sagrada, "o símbolo mais puro do amor." Mas ao chegar ao Taj-Mahal, a tal preciosidade não estava lá.

Eis que o aventureiro volta ao jardim para perguntar o porquê de tudo. A voz divina que o conduziu então ensina a lição máxima: a jóia estava - Pérola Negra - estava consigo o tempo todo.

Trata-se de um enredo, se não inovador, no mínimo incomum. A Vai-Vai, em 98, fez algo semelhante. Em sonho, o sambista Criolé viajou pela história do Japão e com o Cassatu Maru atravessou o planeta em busca da terra prometida. Acordou em pleno desfile da Saracura.

Ocorre que o samba alvinegro nem de longe tem a mesma qualidade. A composição de Mydras, Carlinhos, Bola, Ladislau e Michel segue uma linha melódica própria da escola, mas é poético e ao mesmo tempo valente - nada mais óbvio para um enredo que evoca uma aventura. Ao cantar, o componente se sente o protagonista desta saga. E é essa a idéia central!

Se o desfile seguir a mesma toada, a escola pode colher belíssimos frutos.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Honestidade: virtude ou lição de casa?

Depois de muito tempo, eis que finalmente consegui dar uma repaginada no guarda-roupa no último sábado. Às vésperas do dia da criança, o pequeno aqui achava que enfim merecia presentes. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o "prêmio" que recebi ao final do dia.

Quando cheguei em casa, Carla, minha cunhada, achou bonita uma camisa cor-de-rosa. Só que eu não a havia comprado. Num movimento pra lá de básico da minha personalidade, fui à loja devolver.

Como eu havia levado a sacola por engano de outra unidade, o processo de conferência levou algum tempo, mas se confirmou. Os funcionários ficaram muito agradecidos pela minha integridade. Pude notar nos seus olhos até uma dose de emoção. A gerente até pegou o meu telefone para que o responsável pela outra loja me ligasse para agradecer.

Sem dar chance à hipocrisia, senti-me contente com a demonstração. Mas a consciência falou mais alto: não fiz mais do que a lição de casa inerente a um ser minimamente humano. Ao mesmo tempo, não dá pra deixar passar até uma dose de tristeza. Muitos espertos, para quem ser íntegro é coisa de gente boba, ficariam com a camisa e, numa cadeia de eventos, provocar até mesmo uma demissão.

De qualquer forma, fui o beija-flor que carregava uma gota d'água para apagar o incêndio. Não conseguiria acabar com o fogo, mas fiz a minha parte.

Voltando de novo

Querido Confraria!

Sei que te negligenciei por muito tempo. Mas prometo que vou fazer o máximo para que a sua chama não se apague.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ao vivo na Rede TV

Cá estou para acabar com o marasmo dessas linhas. Por preguiça do autor, o blog ficou desatualizado. Isso não vai mais se repetir.


Na verdade, eu ia deixar a homenagem de primeiro de julho por mais tempo no ar de propósito, mas acabei me demorando demais.

Algumas coisas aconteceram depois de tanta celeuma. Estou novamente empregado depois de cinco meses de penúria.

Mas eu queria me ater a algo inusual que aconteceu comigo ontem. Como quase sempre faço, faço um longo percurso a pé. Como dessa vez eu não ia pra casa, mas para a Irmandade, caminhei até ponto da Teodoro Sampaio próximo ao Hospital das Clínicas.

Na Doutor Arnaldo, uma equipe da Rede TV, composta de repórter e técnicos, quis que eu desse uma entrevista para um programa ao vivo. Ele perguntaria se eu tinha confiança na polícia.

Enquanto o link não entrava no ar, falei ao repórter, Marcelo (senti-me nanico perto dele. E olha que tenho 1,87 de altura, hein?), que também era jornalista. Falei que fiquei um tempo desempregado, mas estava prestando serviços para a Band.

Quando ele entrou no ar, eu disse que confiava desconfiando dos policiais de São Paulo. Reconheço as melhorias nos indicadores, mas eles precisam avançar muito no respeito aos direitos humanos. Contei de experiências nada alentadoras que tive com policiais que abusaram da autoridade. Da última vez, julgaram-me pela roupa que estava vestido quando andava na rua de casa. E tive de enfrentar uma situação constrangedora. Um deles alegou que "não está escrito na testa" quem é do bem, quem não é.

Aí, o apresentador, Rodolfo Gamberini, pediu para que ele me perguntasse se eu fui vítima de racismo. Respondi que não podia afirmar com absoluta certeza, mas o Brasil vive um preconceito camuflado que não permite um desarmamento de mente.

Marcelo conversou também com outras pessoas... e as entrevistas foram ouvidas por um coronel da PM

Deixei a fachada da Faculdade de Medicina da USP feliz pela oportunidade de desabafar.

terça-feira, 1 de julho de 2008

A menina ganhou bronze

A tarde começava a raiar naquele dia da pátria. Uma competição importante estava acontecendo na Alemanha. Havia algo de estranhamente belo no ar. Alguém sublime escreveria com a alma uma linda página da história do esporte brasileiro. Mas, ai de mim, só pude presenciar o evento pela metade, pois um compromisso me chamava. E a mente teimava em querer desgarrar-se para cruzar o Atlântico. Ficou no mar, a ver navios. Só me restou saber o desfecho na sábia voz do meu pai:

“A menina ganhou bronze.”

Era Jade. Mais que jóia, a lira encarnada. Mais que inspiração, a poesia em pessoa. Que ofereceu à nação recém liberta uma de suas páginas mais grandiosas.

Antes disso, tal divindade tomou várias formas. Quando apresentada aos seus, era Fellini. Encenou, a quase um só tempo, o drama e a redenção. E, por um instante, poetizei. O choro incontido e o riso acanhado nos faz juntos por ela encantados. Mas quando no velho mundo, vestiu-se de Homero, posto que conquistou. Mas dourou-se de uma pitada de Machado, posto que não venceu.

Para surpresa – e até um pouco de decepção - dos súditos, nem derramou as lágrimas de sempre. Seu espírito transcendeu de tal forma que tomou da emoção as rédeas do seu ser. Mas, ao chegar à terra adorada, o equilíbrio de outrora se restabeleceu. Então, como se presenteasse, não conteve um pranto feliz. Que me acertou em cheio. Essa garotinha tem mesmo vocação para tocar corações.

Tanta arte só tinha de ter a sua apoteose num Teatro Municipal. O Brasil olímpico se curvava àquela princesinha, que exalava ternura até no jeito meio desengonçado de caminhar sobre o salto alto. A pequena duelou com gigantes. E venceu. Lutou contra as emoções. E perdeu. “Ai! Eu queria não chorar, mas...”

Será uma demonstração de fragilidade? Longe disso! Em si também repousam Elis e Leila Diniz! Transgressora, porque não dança um baile de máscaras, de tão verdadeira. Inovadora, porque consegue combinar autenticidade com doçura.

Mas, afinal, por que tanto ela chora? Porque sua alma é tão gigantesca que não cabe no seu metro e cinqüenta e dois. Por isso, é necessário que se expresse. E transborde.

Hoje, essa heroína vive o ano dezessete de sua existência. Em tão pouco tempo, teve muito a ensinar. Este humilde arauto, que viveu quinze anos a mais, não tem um décimo de sua força e coragem. E por isso a admira tanto. Portanto, não diz parabéns. Diz obrigado!