quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Brasil e Ahmadinejad

Vou entrar num terreno pra lá de pantanoso pra mim... política internacional.

Fala-se muito no risco que o Brasil corre ao receber o presidente iraniano sopa-de-letrinhas Mahmoud Ahmadinejad.

De fato, o cara é pavoroso, tanto na expressão - de dar medo - quanto nos valores.

Mas há um lado que, a meu ver, foi mal explorado: quando estabelecemos esse tipo de relação, recebemos o país... e não a figura do presidente em si. A ligação é muito mais com a população do que com Ahmadinejad, cujos "valores" não condizem com os pensamentos da maioria dos iranianos. Tanto é verdade que a eleição presidencial no país, suspeita de fraude, causou uma onda de protestos de boa parte da nação - e é aí que o presidente Lula erra feio, porque tratou uma reivindicação legítima como picuinha de maus perdedores.

Admito que é pra lá de preocupante dar esta abertura a um país que adota uma postura tão pouco clara a respeito de sua política nuclear. Mas, se adotarmos este raciocínio, não conviria também ter relações com a China, uma nação próspera, mas ditatorial até as tampas.

Pois é. Barack Obama foi até lá. Errado? Não, porque agora o mundo depende da ascensão dessa já consolidada potência mundial.

Creio que é preciso pensar de maneira mais ampla acerca de alguns assuntos.

sábado, 17 de outubro de 2009

Grande Arthur Zanetti

Certa vez, quando blogava no Planeta Esporte, disse para guardar na memória o nome de um ginasta promissor: Arthur Zanetti.

O paulista de São Caetano chamou-me a atenção para duas finais que ele havia disputado na etapa de Maribor da Copa do Mundo. Zanetti foi bronze no solo e ficou em sexto nas argolas.

Pois não é que no mundial de Londres o garoto foi mais longe? Classificou-se em oitavo nas eliminatórias nas argolas, com 15.250. E chegou em quarto, com 15.325.

domingo, 4 de outubro de 2009

Vaivém

Um dia eu te vi
No meio da tempestade
E o sol se abriu em flor
Contei-te da minha expressão de esperança

Mas, Flor de Nis, tu sumiste
E sigo eu em minha sina sem propósito.

sábado, 15 de agosto de 2009

Ensaio Sobre a Cegueira: excelente, mas perturbador

Um japonês de repente perde a visão. Sua esposa o leva ao oftalmologista e, no dia seguinte, ambos também ficam cegos. A epidemia se espalha de tal forma que os infectados são enclausurados em um hospício. O problema é que, em toda a cidade, a única viv'alma sobrevivente é a esposa do oftalmologista, na pele de Julianne Moore (a estrela da companhia).

"Ensaio Sobre a Cegueira", baseado no romance homônimo de José Saramago, cobre os olhos de branco para descobrir nuances da moral humana. O local de isolamento passa longe de provisório: torna-se um presídio, com a conflagração de alas rivais. A de número 3, chefiada por Gael Garcia Bernal, passa a confiscar os alimentos em troca de benesses. Primeiro, objetos pessoais. Depois, a dignidade das mulheres. A situação fica tão insustentável que a mulher do médico mata o chefe da ala 3.

Diante de tal cenário, a única que enxerga passa a carregar uma cruz quase insustentável. No meio da catarse, em que o destino de todas aquelas pessoas passam inapelavelmente pelas suas mãos, seu casamento é colocado em cheque, e os valores desmoronam como água. Se por um lado a cegueira desperta sentimentos os mais primitivos, como a guerra por comida, por outro traz à luz uma forte noção de solidariedade.

No Novo Testamento vinha a busca por uma explicação. Antes de se tornar apóstolo, Saulo perseguia e matava cristãos. Na famosa missão de Damasco, em que procurava pelo cristão Barnabé, Jesus aparece em clarão e pergunta: "Saulo, por que me persegues?" A visão o deixou cego por dias. Quando voltou a enxergar, se converteu e passou a se chamar Paulo.

Concentração de todas as cores, o branco predominante é sombrio por catalizar a consciência humana em suas misérias. Mas é no despertar da virtude que a cegueira encontra sua redenção. E aí, é o preto que assume um caráter purificador. Fernando Meirelles mantém o time que ganhou em "Cidade de Deus" e troca a ação pelo psicológico com maestria.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Minha vida como morto

No 'Notícia em Foco' de segunda feira passada, Eliane Brum, repórter especial de Época, disse ter voltado exaurida de uma matéria que fez. "Não posso adiantar nada, pois a matéria não saiu, ainda."

Aí, pego a revista da semana e leio a história de Paulo Cezar dos Santos, o homem que, para a burocracia, está morto graças a um erro de registro. Tal condição atrai tantos fantasmas que o pobre homem tem medo de morrer de verdade.

Mas é o texto, belíssimo, que fala por si. Confira aí:

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Reflexão sobre os pontos corridos

Vamos falar um pouco de futebol... apesar da fase horrorosa pela qual o Corinthians passa, me bateu na mente um ponto interessante a ser discutido.

Sempre fui a favor do sistema de pontos corridos no Campeonato Brasileiro, porque premia quem se organiza melhor, e ganha quem é efetivamente melhor.

Por outro lado, ele traz um efeito que, a meu ver, é maléfico: ele diminuiu a importância do título brasileiro. Se por um lado muitos clubes, cientes de suas limitações, traçam objetivos diferentes na competição (há os que querem chegar à Libertadores, os que almejam a Sul-Americana e os que apenas desejam terminar em uma posição digna - ou seja, permanecer na Série A), por outro a maioria deles perdeu a gana pelo prêmio principal de qualquer campeonato.

No mata-mata, com todos os seus muitos defeitos, isso não acontece.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sobre o diploma

Ainda sobre o Notícia em Foco de segunda-feira passada...

Para Lourival Sant'Anna, repórter especial do Estadão, a formação jornalística pura não acontece em outro lugar que não seja a faculdade de comunicação. Já Eliane Brum, de Época, vê a universidade como o palco principal para debates acerca da ética na profissão.

Sant'Anna se disse a favor do curso, mas não do diploma. Entendi o que ele quis dizer, mas a meu ver, o diploma não se dissocia do curso em si.