domingo, 20 de dezembro de 2009

Sem sair do TOM

Eu tava devendo uma visita à queridíssima Tom Maior.

Aquela comissão de frente de 2009 foi uma das mais lindas que já vi na minha vida - chego a achar que rivaliza com os sambistas da Mangueira em 99 e com os lusíadas da Tijuca em 2002. É uma pena que algumas falhas técnicas a tenham deixado à beira do Acesso.

Estava marcado para as oito e meia da noite de ontem um ensaio pelas ruas do Sumaré, berço da escola. A concentração aconteceria na Oscar Freire, em frente à estação que leva o nome do bairro.

As coisas começaram a esquentar só a partir do aproximar das dez horas. Uma moça perguntou a um grupo de ritmistas a que horas acabava. "Da última vez, foi até a meia-noite", disse Isabella Castillas, uma representante do naipe de tamborins.

A bateria foi tomando forma aos poucos. Marcação, surdos, caixas, ripas, chocalhos, Xequerês, agogôs, tamborins. Das mais ousadas, a orquestra de mestre Carlão tem um bailado envolvente. É rica em convenções as mais variadas. E os seus batuqueiros evoluem dnaçando.

Depois de acertados os acordes, o carro de som virou na Amália de Noronha. O time de cantores comandado pelo grande Renê Sobral incendiou com o hino ("E toda a gente que é feliz") e a exaltação ("Exaltando o samba ela vem... cheia de graça"). Depois, explodiu o bom samba sobre Angola. Antes de começar a ensaiar, a hostilidade descabida fez o morador de um prédio jogar água no carro de som, o que irritou os intérpretes. "Seu ignorante. Isso aqui é cultura popular" esbravejou Renê, coberto de razão. Se o evento estava marcado, é porque recbera a devida autorização. Abaixo os inimigos do samba (infelizmente, em São Paulo eles são muitos).

O samba é lindo! Principalmente na parte de cima, que é poesia em seu estado mais puro: "A luz da minha alma/ Reflete as cores do meu pavilhão/ Amor que já não tem explicação." E a melodia do final também é de emocionar: "Tenho a energia dos cristais/ Mistérios espaciais..." Os autores do samba de 2008 (que eu tanto critiquei) e de 2009 (muito bom, mas sem atingir o ápice) dessa vez acertaram em cheio.

O sabidão aqui cantou alto o hino, a exaltação e o samba de 2009. Mas, por falta de técnica, o gogó pediu água na metade. Já quis ser cantor um dia. Quem sabe um dia eu tomo umas aulas... hehehehe

Mas deu pra observar o bonito trabalho dos harmonias, botando os visitantes/ potenciais componentes para cima e tentando ganhar a vizinhança, nem sempre amistosa.

Nos estertores da Cristiano Viana, ao alto da Sumaré, a apresentação chegou ao fim. O presidente Marko anunciou a nova quadra, que teria a Barroca a se apresentar no dia 5 de janeiro, e seria oficialmente inaugurada com Pérola Negra e Mocidade Alegre.

Na viagem de volta, peguei carona com um grupo que continha duas pessoas do departamento jovem, uma passista, uma ritmista e um compositor (acho). Uma moçada muito bacana que me acolheu com simpatia, e me convidou a acessar o seu blog.

Segui meu caminho solitário, mas feliz.

3 comentários:

Jovem Tom disse...

Parabéns pelo belo texto, Felipe! E obrigado pela visita e comentário em nosso blog!

Esperamos lhe encontar mais vezes em nossos ensaios!

Isabela Castillas disse...

"Da última vez, foi até a meia-noite", disse uma tocadora de tamborim.
(...)
Essa "tocadora"(prefiro ritmista) era eu!


Parabéns pelo texto.

Felipe Rangel disse...

Obrigado pelo recado, Isabella. Modifiquei o termo no texto para "representante do naipe de tamborins". Não coloquei "ritmista" para não repetir a palavra no mesmo parágrafo. E, realmente, "tocadora" ficou feio.

Um abraço.